Conjuntivite: Tipos, Sintomas e Tratamento
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente que reveste a parte branca do olho e o interior das pálpebras. Trata‑se de uma das queixas mais frequentes nos consultórios oftalmológicos brasileiros, caracterizada por hiperemia (olhos vermelhos), secreção, prurido (coceira) e lacrimejamento. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, identificar corretamente o tipo — viral, bacteriana, alérgica ou tóxica — é essencial para instituir o tratamento adequado e evitar complicações. Neste artigo, a Dra. Renata Leonel, oftalmologista especialista em córnea e doenças externas, detalha cada forma da doença, suas causas, sintomas, duração típica e orientações de cuidado. Para mais informações sobre afecções da superfície ocular, visite nossa página de Córnea e Doenças Externas.
O que é conjuntivite?
A conjuntiva é uma fina membrana mucosa que recobre a esclera (parte branca do olho) e a face posterior das pálpebras. Quando sofre agressão infecciosa, alérgica ou irritativa, desenvolve‑se um processo inflamatório denominado conjuntivite. Os sinais cardinais incluem hiperemia, secreção de aspecto variado, prurido, sensação de corpo estranho e lacrimejamento. A conjuntivite pode ser classificada em quatro grandes grupos: viral, bacteriana, alérgica e tóxica/irritativa. Cada um apresenta características próprias que orientam o diagnóstico e a conduta.
Conjuntivite viral
Causa: O agente mais comum é o adenovírus, mas herpesvírus, enterovírus e outros também podem estar envolvidos. A transmissão ocorre por contato direto com secreções oculares ou respiratórias de uma pessoa infectada, sendo altamente contagiosa.
Sintomas: Hiperemia difusa, lacrimejamento aquoso abundante, sensação de areia e prurido leve. A secreção é tipicamente clara e aquosa, diferente da secreção purulenta da forma bacteriana. Frequentemente há linfadenopatia pré‑auricular (íngua na frente da orelha). Pode ocorrer fotofobia leve. O período de incubação varia de 2 a 14 dias.
Duração típica: De 7 a 14 dias, podendo se estender por até três semanas em alguns subtipos.
Tratamento: Não existe antiviral específico para a maioria dos adenovírus; o manejo é sintomático. Compressas frias, lágrimas artificiais sem conservantes e higiene rigorosa das mãos ajudam a aliviar os sintomas e reduzir o contágio. Nos casos de conjuntivite herpética, o oftalmologista pode prescrever antivirais tópicos ou orais. É fundamental evitar o compartilhamento de toalhas, fronhas e colírios.
Conjuntivite bacteriana
Causa: Bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis são os agentes mais frequentes. A infecção ocorre pelo contato com secreções contaminadas e também é contagiosa.
Sintomas: Secreção purulenta espessa, amarelada ou esverdeada, que pode formar crostas nas bordas palpebrais e grudar as pálpebras ao despertar. Hiperemia intensa, edema palpebral e desconforto ocular são comuns. Pode haver dor à movimentação do olho.
Duração típica: Com tratamento antibiótico tópico adequado, os sintomas melhoram em 24 a 48 horas e a infecção se resolve em 7 a 10 dias. Sem tratamento, pode evoluir para ceratite ou complicações mais graves.
Tratamento: O uso de colírios antibióticos (por exemplo, moxifloxacino ou tobramicina) deve ser prescrito pelo oftalmologista após avaliação com lâmpada de fenda. Não se automedique: colírios com corticoides podem mascarar e agravar a infecção. Compressas mornas auxiliam na remoção das crostas. A higiene das mãos e o isolamento doméstico são recomendados nos primeiros dias.
Conjuntivite alérgica
Causa: Desencadeada por alérgenos como pólen, ácaros, mofo, pelos de animais e cosméticos. Não é contagiosa. Pode ser sazonal (polinose) ou perene (exposição contínua a ácaros e fungos).
Sintomas: Prurido intenso é a marca registrada, acompanhado de hiperemia, lacrimejamento, secreção mucosa esbranquiçada e sensação de areia. Ocorre edema palpebral moderado. Frequentemente a conjuntivite alérgica está associada à rinite alérgica e ao olho seco.
Duração típica: Enquanto houver exposição ao alérgeno; pode ser recorrente.
Tratamento: Colírios anti‑histamínicos e estabilizadores de mastócitos (como cetotifeno ou olopatadina) são a primeira linha. Lubrificantes oculares e compressas frias aliviam o prurido. Casos refratários podem necessitar de corticoides tópicos por curto período, sempre sob supervisão médica. Evitar o alérgeno é a medida mais eficaz.
Conjuntivite tóxica ou irritativa
Causa: Exposição a agentes irritantes como fumaça de cigarro, cloro de piscina, produtos químicos, colírios com conservantes, maquiagem vencida ou protetor solar na região ocular. A reação é não imunológica e costuma ser imediata.
Sintomas: Hiperemia, ardor intenso, lacrimejamento e sensação de corpo estranho. Não há secreção purulenta. Pode ocorrer erosão corneana se o irritante for agressivo.
Duração típica: Geralmente 24 a 48 horas após a remoção do agente causador.
Tratamento: Suspender o agente irritante, lavar abundantemente com soro fisiológico e usar lágrimas artificiais sem conservantes. Na maioria dos casos a recuperação é completa e rápida.
Quando procurar um oftalmologista?
Embora muitos casos de conjuntivite tenham resolução espontânea, alguns sinais indicam necessidade urgente de avaliação especializada: dor ocular intensa, fotofobia, diminuição da acuidade visual, secreção purulenta abundante, piora progressiva, suspeita de corpo estranho ou sintomas em recém‑nascidos. A conjuntivite que persiste por mais de duas semanas ou que recorrente com frequência também merece investigação. O médico oftalmologista realiza o exame com lâmpada de fenda para diferenciar a conjuntivite de outras condições como ceratite (inflamação da córnea), uveíte ou glaucoma agudo. A Dra. Renata Leonel atende em São Paulo, Osasco e Xanxerê, oferecendo diagnóstico preciso e tratamento individualizado.
Medidas de higiene e prevenção
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente após tocar os olhos.
- Não coçar os olhos; utilizar lenços descartáveis para limpar a secreção.
- Evitar compartilhar toalhas, fronhas, colírios, maquiagem e óculos.
- Em caso de uso de lentes de contato, interromper o uso até a resolução completa da infecção e descartar as lentes utilizadas durante o período.
- Limpar superfícies com álcool e separar utensílios pessoais enquanto houver sintomas.
- Permanecer em casa durante a fase aguda da conjuntivite viral ou bacteriana para reduzir o contágio.
A conjuntivite bacteriana e viral são altamente contagiosas; já a alérgica e a tóxica não transmitem. Para mais informações sobre inflamações palpebrais, confira o artigo sobre blefarite.
Perguntas frequentes
1. Como diferenciar conjuntivite viral de bacteriana?
Na viral a secreção é aquosa e geralmente há linfonodo palpável; na bacteriana a secreção é purulenta amarelada ou esverdeada e as pálpebras amanhecem grudadas.
2. Conjuntivite alérgica é contagiosa?
Não. A conjuntivite alérgica é uma reação do sistema imunológico a alérgenos e não transmite de pessoa para pessoa.
3. Posso usar colírio de soro fisiológico?
Soro fisiológico pode ser usado para limpeza externa, mas não substitui lágrimas artificiais ou medicação específica prescrita pelo médico.
4. Quanto tempo dura cada tipo?
Viral: 7–14 dias; bacteriana: 7–10 dias com antibiótico; alérgica: enquanto durar a exposição ao alérgeno; tóxica: 24–48 horas após remoção do irritante.
5. Crianças podem ter conjuntivite?
Sim, é muito comum. A higiene das mãos e evitar coçar os olhos são medidas importantes para prevenir o contágio.
6. A conjuntivite pode causar complicações?
Complicações são raras, mas pode evoluir para ceratite, úlcera de córnea ou infecção intraocular se não tratada adequadamente, especialmente nos casos bacterianos.
Considerações finais
A conjuntivite é uma condição frequente e geralmente benigna, mas o diagnóstico correto faz toda a diferença na recuperação e na prevenção do contágio. Se você apresenta sintomas persistentes ou graves, procure um oftalmologista. A Dra. Renata Leonel, especialista em Córnea e Doenças Externas, está pronta para oferecer um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Agende sua consulta e cuide da saúde dos seus olhos.